História e Projetos

QUEM SOMOS COMO COMEÇAMOS A INTEGRAÇÃO DE NOSSOS PROJETOS


Como Começamos

Somos partidários de que tudo pode ser feito, mesmo que aparentemente impossível, como foi o caso da idéia de se criar cabras em Poços de Caldas, em 1985, pois tínhamos , de imediato 4 problemas importantes: a) não era comum no país tecnologia disponível sobre caprinocultura; b) não possuíamos área rural suficiente e que possuímos é no perímetro urbano. Previa-se que para a criação de cabras de, no mínimo 1 hectare de terra para cada 10 cabeças. O Rancho das Cabras possui 1 hectare para 100 animais; c) o clima de Poços de Caldas era inadequado para a Caprinocultura; d) não existiam animais selecionados para a produção de leite. As cabras existentes não eram de raça leiteira em geral e produziam pouco mais de 1 litro de leite por dia e quem possuía animais produtivos não os vendia. Restava-nos a importação da França, Suíça e Alemanha, mas ao preço de U$1.000 a U$1.500 cada.

Para o primeiro problema, resolvemos adquirir os poucos livros e apostilas existentes, inclusive da França, Portugal e Argentina e visitar mais de 20 propriedades rurais que estavam iniciando a atividade. Naquela ocasião, as revistar especializadas em assuntos rurais, como a Globo Rural iniciavam abordagens sobre o assunto. Lemos quase todas. Quanto à indisponibilidade de área rural, descobrimos, através de uma reportagem que um criador tinha cabras confinadas numa chácara de 1 hectare, na Pampulha, em Belo Horizonte MG, idêntica a uma propriedade que possuíamos em Poços de Caldas, no Bortolan, o que nos fez agendar uma visita, de imediato, foi quando descobrimos que área passava a não ser o nosso problema, conforme nos ensinou o Dr. Fernando Alzamora.

Restava-nos convencer as autoridades municipais e a vizinhança no sentido de obtermos autorização formal para criar animais em área urbana, o que não era e não é comum no país. Falamos em autorização formal porque a partir da autorização poderíamos fazer planejamento e buscar capital de investimento, já que se tratava de um negócio e a maioria das novas criações da época se referia a “hobby”.

Após 6 meses da entrada do pedido na Prefeitura, obtivemos autorização, na seguinte condição: o projeto poderia ser implantado desde que com total ausência de moscas, de barulho e de mau cheiro, tudo comum à maioria das criações conhecidas. A esta condição adicionava-se um dos problemas acima citados, qual seja: o clima de Poços de Caldas era impróprio para a criação de cabras, porque a cabra precisava de umidade relativa do ar abaixo de 50% e nos meses de verão, passamos às vezes 30 dias com umidade de 100%.

Bom, tínhamos aí um problema complexo e daí procuramos resolve-lo com soluções simples. Para neutralizar a umidade, projetamos o capril, que é a casa das cabras, em posição que respeitasse os ventos dominantes; evitamos chuvas no interior das instalações; usamos a posição do sol como aliada e fizemos o piso das baias suspensos 1,5 metros do solo, o que nos permitiu maneja melhor o vento. Em relação à possibilidade de mau cheiro, resolvemos pulverizar, a cada 15 dias, o piso com cal, que reagiu com os dejetos e reduziu quase que totalmente o cheiro. Para incidência de moscas, após estudarmos o ciclo reprodutivo das mesmas, assim como a autonomia de vôo, já que a 40 metros de distância tínhamos como vizinho, um hotel, experimentamos colocar galinhas e patos sob o piso, ou seja, abaixo do piso ripado. O resultado foi surpreendente, pois as moscas existentes passaram a botar os ovos nas ripas suspensas que, ao se transformarem em larvas, caiam e serviam de alimentos para as aves que, também comiam os restos de ração e forrageiras não consumidas pelas cabras.

Outra preocupação dos técnicos da Prefeitura era o destino dados aos dejetos, já que a 300 metros abaixo temos uma represa. Passamos então, com os dejetos, a produzir húmus de minhoca. As minhocas consomem os estercos e restos culturais e produzem húmus de qualidade superior que é vendido ou reincorporado nas terras das áreas de plantação de forrageiras de corte.
Por último, quanto á dificuldade de conseguirmos cabras leiteiras na ocasião, para iniciar a criação, resolvemos fazer cruzamento absorvente, utilizando bodes de alta progênie leiteira, adquiridos a preços altos e cabras nativas na região, já que em Poços de Caldas, seguindo, talvez, a lei da ecologia, elas não existiam. Até 1991, continuamos comprando cabras de terceiros, foi quando deixamos de adquirir animais, exceto reprodutores, e o plantel foi fechado, com o sufixo, ou sobrenome “de Poços de Caldas”. Toda cabra que nasce no Rancho das Cabras, que é associado das entidades responsáveis pelos registros genealógicos, recebem o nome próprio e o sobrenome, como por exemplo, a Amazonas de Poços de Caldas.

Naturalmente, algumas condições foram se colocando como fundamentais para o desenvolvimento do negócio, considerado pioneiro, quais sejam: gostar da atividade, para superar as dificuldades que foram aparecendo e que se transformaram em experiências; buscar conhecimento tecnológico e de manejo, mais difícil, por se tratar de atividade desconhecida, com poucas pessoas experientes e, ainda ter paciência para a maturação do empreendimento, pois não se possuiam dados de projetos de caprinocultura no país.

Superadas essas primeiras situações, outras foram surgindo como a necessidade do foco no cliente; a necessidade de uma gestão empresarial e de tecnologia e tudo está sendo superado pois, a missão de criarmos cabras é muito forte.

Hoje, após 20 anos do início do projeto, estamos com um dos 5 melhores plantéis da raça Saanen do Brasil e colocados em 2001 no segundo lugar no “ranking” nacional de torneios leiteiros e em 2002, no terceiro. Somos o criatório com o maior número de cabras premiadas no torneio leiteiro da 21ª Exposição Nacional de Caprinos, ocorrida em Resende RJ, no período de 10 a 17/11/02. Temos 15 cabras que produzem mais de 7 quilos de leite por dia e mais de 20 que produziram mais de 5 quilos de leite por dia, na primeira cria.

Os torneios leiteiros têm 3 categorias de cabras: a primeira (categoria cabrita), onde competem cabras de até 2 dentes, normalmente na primeira cria; segunda categoria (categoria cabra jovem), contemplando cabras de 4 a 6 dentes, normalmente na segunda cria e a terceira categoria (categoria cabra cabras adulta).

Na primeira categoria, o Rancho das Cabras possui a cabra de nome Bárbara de Poços de Caldas que, em 2001, ao ter produzido a média diária de 7,452 quilos de leite, sagrou-se a campeã da categoria cabrita, em Resende RJ, em 2001, principal exposição de caprinos do país, além de se colocar entre as 3 cabras mais produtivas da categoria, em todos os tempos. Nesta mesma posição no “ranking” nacional se coloca a cabra Amazonas de Poços de Caldas, desta feita na categoria cabra jovem. A cabra Marcela de Poços de Caldas está entre as 15 cabras mais produtivas do país, em todos os tempos.

Após o destaque da cabra Amazonas de Poços de Caldas, que produziu mais de 10 quilos de leite de média, no torneio leiteiro de Muriaé, MG, de 2003, onde sagrou-se a Grande Campeã e se colocou entre as 7 cabras mais produtivas do país, em todos os tempos, assim como da Beladona de Poços de Caldas (Birmânia), que se colocou entre as 12 cabras mais produtivas do país, produzindo, no mesmo torneio leiteiro, a média diária de 9,515 quilos de leite, o Rancho das Cabras vem sendo procurado pelas Centrais de biotecnologia, em reprodução de caprinos, para fornecimento de embriões e semens para o emergente mercado nacional. Tal “status” do referido criatório se deve também à qualidade zootécnica de seus animais, hoje em número de 100, dos quais 20 produzem 80 litros de leite por dia, em média e nenhum produz menos que 5 litros por dia, no pico de lactação.

Além das duas cabras acima, entre as 20 cabras mais produtivas do país, em torneios leiteiros oficiais, por categoria (cabrita – até 2 dentes; cabra jovem – de 4 a 6 dentes e cabra adulta – boca cheia), destacaram-se a Bárbara de Poços de Caldas, 4ª cabra, na categoria cabrita. Na categoria cabra jovem, a Amazonas, de novo, no 3º lugar, a Bósnia de Poços de Caldas, na 18ª posição desta categoria e a Alemanha de Poços de Caldas, no 20º lugar. Também se destacou a Marcela de Poços de Caldas, na 20ª posição da categoria cabra adulta.

Conquistamos, no período de 1999 até 2005, 75 premiações, sendo 40 em torneios leiteiros e 35 em julgamentos de pistas Saanen.
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